Nos dias que que correm o desemprego é um dos maiores pesadelos dos recém-licenciados. É o que se pode chamar pão nosso de cada dia, ou pelo menos dos dias que precedem o fim de uma licenciatura/mestrado. Felizmente, esta onda não atinge todos os sectores.
Li recentemente um artigo que afirmava que na áreas das TIC os profissionais dos próximos 10 anos têm emprego garantido. Findo este periodo também esta área ficará estagnada em Portugal. Para muitos esta notícia pode ser encarada um um mau prenúncio. Uma antecipação real de um futuro precário.
Pessoalmente gosto de encarar as situações segundo a perspectiva de "copo meio cheio". Assim, podemos analisar esta situação segundo um prisma mais positivo. Os profissionais que se formarem nos próximos 10 anos vão conseguir empregar-se com relativa facilidade já que neste momento existe mais procura de profissionais na área das TI do que propriamente o número de profissionais que existem. Passados estes 10 anos, estes profissionais terão uma experiência profissional fantástica pelo que a preocupação de arranjar emprego só deve afectar os que se formarem nessa altura.
Agora, podemos analisar a actual conjuntura. Se existe uma procura maior do que a mão de obra disponível...então esta mão de obra pode e deve negociar muito bem os seus contratos já que pode tirar contrapartidas muito boas.
Basta pensarem...se a empresa X não está disposta a pagar condignamente pelo nosso trabalho, haverá certamente quem esteja já que a mão de obra não abunda. Existem muitos que se sabem mexer nesta área, mas são relativamente poucos os que sabem realmente o que fazem. Então meus amigos...façam-se dificeis e discutam sem receios os vossos salários e condições de trabalho.
Neste sentido estava a navegar pelos meus sítios habituais quando encontrei um testemunho do Sr. Richard Castellini, para quem não sabe este Sr é o Vice Presidente da área de Marketing para Consumidores da CareerBuilder.com. Um verdadeiro especialista em questões de tendência e tácticas de recrutamento, procuras de emprego e questões laborais. Aqui ficam então as 5 sugestões do Sr. Richard Castellini, para conseguirem uma melhor proposta de salário, precedidas de um apanhado que ele fez de uma realidade presente em muitos casos:
Vocês desenvolveram um Curriculum imaculado, enviaram-no para centenas de ofertas de emprego, navegaram na procura de mais ofertas até ficarem com os olhos fora de órbirta, impressionaram os vossos possiveis empregadores nas entrevistas e finalmente conseguiram o emprego perfeito. O trabalho compensou...ou quase!
Não assinem já o contrato. Olhem para o salário. Se este vos parece um pouco abaixo daquilo que esperavam ou que pretendiam receber então é porque provavelmente este é mais baixo do que aquilo que vocês merecem. Lembrem-se que estes empregadores precisam mais de vocês do que vocês deles, mesmo que não o admitam.
Segundo um estudo recente da CareerBuilder.com 58% dos empregadores afirmam deixarem algum espaço de negociação para a questão salarial. O mesmo estudo também garante que 6 em cada 10 empregadores admite melhorar as condições salariais por uma vez se o candidato as discutir e 10% dos empregadores está mesmo aberto a um cenário de proposta e contra-proposta se estiverem realmente interessados no candidato. Apenas 30% dos empregadores garante não estar disponível para ceder na questão salarial...Vejam bem, apenas 30%.
Negociar uma proposta melhor é sempre do interesse do candidato. De facto 1 em cada 10 empregadores afirma, apesar do risco de se debater com futuros candidatos dispostos a lutarem pela justiça dos seus ordenados, que acreditam mais num candidato que não aceite a 1ª oferta salarial do que um candidato que está disposto a assinar no imediato. A vontade de negociar o salário demonstra, segundo os empregadores, a determinação, persistência e reconhecimento de valor que o candidato pode trazer.
Aqui ficam então 5 dicas a seguir:
1. Provem o vosso valor
Destaquem os vossos feitos e resultados. 34% dos empregadores afirmam que este é o aspecto que que mais os convencem na altura de empregar e de se mostrarem disponiveis em negociar uma oferta salarial melhor. Não apresentem apenas feitos gerais. Sejam específicos, apresentem nomes de projectos onde estiveram envolvidos, clientes anteriores e quantifiquem os resultados.
2. Apresentem recomendações fortes
1 em cada 3 empregadores afirma que as referências/recomendações são o principal factor influenciador de decisão sobre se aceitam discutir, ou não, o tecto salarial. Deste modo previnam-se e peçam aos vossos antigos empregadores, ou coordenadores de curso, cartas de recomendação. Familiarizem os vossos empregadores com estas cartas de recomendação.
3. Conheçam o vosso mercado
Para cada 4 em cada 10 empregadores a melhor forma de aceitarem negociar as condições salariais é se o candidato lhe apresentar dados que afirmam que as médias salariais correntes no mercado são superiores às que lhe estão a ser oferecidas. Procurem esta informação em instituições governamentais ou agências de emprego. A educação dentro destes assuntos é fundamental.
4. Apresentem as propostas superiores que têm em carteira de outras empresas
Se tiverem propostas salarias superiores de outras instituições mencionem-nas na altura de negociar o salário. 13% dos empregadores diz que a presença de concorrência pelo candidato os torna menos resistentes em rever as condições salariais propostas. Contudo sejam cuidadosos com este ponto. Se não estiverem à vontade em termos de capacidade negocial pode ter o efeito contrário.
5.Quando nenhuma estratégia anterior funciona peçam para que fique registada uma futura análise salarial dentro de 6 meses
Se este emprego é tudo o que vocês procuravam, mas o empregador se encontra inflexivel em negociar o salário não desistam. Peçam para que este esteja disposto em abrir uma nova discussão sobre este assunto dentro de 6 mediante a vossa produção. Matem-se a trabalhar e impressionem o empregador e colegas e vão ver que passados 6 meses o salário que querem pode ser concedido.